segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O Dinheiro e o Sapiens

Money get back,

reprodução
Mammon, folhado a ouro
Se algum dia alguém der prosseguimento naquela conhecida classificação que dividia a evolução da humanidade em Idade do Bronze, Idade do Ferro, terá que convir que definitivamente vivemos na Idade do Dinheiro, tendo Mammon, o deus pagão da riqueza, como sua divindade inconfessa. Cabe aos intelectuais de agora reconhecer o fracasso, seu e de todos aqueles que os antecederam.

Sim porque durante séculos mobilizaram-se, em tempos diversos, para denunciar os perigos do mundo mercantilizado, onde tudo corria ao som do tilintar das moedas. Entre os clássicos, Aristóteles por exemplo , na sua classificação das formas de viver exposta na Ética de Nicômaco, nega-se a considerar o negócio como uma atividade digna do ser humano e que o que a tal se dedicava "é um homem que está fora da natureza".

Não foi diferente entre os grande nomes da patrística e da teologia cristã, como São João Crisóstomo, Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino que viam na usura, "a ganância sem causa", praticada pelos mercadores, uma atividade vil, tanto que é que Jesus expulsou do templo tal tipo de gente. Somente justificada se fosse acompanhada por um ato de caridade, porque o comércio, seja ele qual for, "encerra certa torpeza".

Sem Palácios de Cristal

reprodução
Adorando o bezerro de ouro, a única cerimônia universal da humanidade (Tela de N.Poussin)
Quem não imprecou contra o poder do dinheiro, quem não lançou pragas e maldições contra o pérfido metal? Os anarquistas do século passado ,os militantes socialistas e os pensadores marxistas, foram talvez a última e inútil insurgência contra o total predomínio do mundo argentário.

Porém o comportamento da humanidade decepcionou a todos eles. Ao contrário dos que planejavam para ela Palácios de Cristal, mundo perfeitos onde a miséria seria desconhecida, ela mostrou-se apenas singelamente interessada no seu bem-estar material mais rasteiro, sendo que entendeu que a melhor forma de alcançá-lo era exatamente pela exacerbação das relações mercantis, em transformar tudo num imenso armazém, em deixar-se arrastar pela simples lógica do dinheiro.

O choque maior para os intelectuais contestadores e para os teólogos inconformados de hoje é de que percebem que o crescente mercantilismo não tornou o homem sorumbático ou depressivo, como imaginavam que fatalmente iria ocorrer. Facilmente verifica-se em qualquer lugar que as pessoas orgulham-se e sentem-se até honradas em se verem consideradas como uma mercadoria, em venderem, caso sejam famosas, a sua imagem para um anúncio publicitário qualquer . Nem mesmo por isso consideram-se aviltados ! Ao contrário, ficam felicíssimos em serem considerados alvo desse tipo de atenção e da popularidade daí decorrente. Isto demonstra o enorme equivoco, a imensa alienação, que as melhores cabeças de todos os tempos incorreram ao avaliar incorretamente os sentimentos gerais da maioria das pessoas em relação às coisas materiais e aos bens que pretendiam ter.

As três barreiras contra o negócio

reprodução
Cristo expulsando os mercadores do templo

Diga-se que a triunfante visão negocista que ora manifesta-se soberana pelo mundo inteiro, teve que enfrentar, ao longo dos tempos, três grandes barreiras culturais e mentais que se lhe antepuseram: a da filosofia clássica com seu preconceito contra o Negócio; a da teologia cristã e seus anátemas contra a Usura; e o da doutrina marxista condenado o Capital. Porém, com o tempo e com pertinácia, venceu a todas elas, superando ou removendo os entraves da filosofia, da religião e da ideologia.

E, talvez, a razão da sua vitória deve-se a que a percepção mercantilista das coisas, a maneira de ver o mundo pelos cifrões e pela contabilidade de lucros e perdas, é que nunca atribuiu aos homens valores superiores, transcendentais. Nunca os viu com olhos de fantasia, nem depositou neles grandes expectativas. Sempre os enxergou como realmente são: um amontoado de pobres diabos carentes de tudo, movidos pelas coisas comezinhas, rasteiras e sem sabores que os cerca e que ficam imensamente gratos em poder consumir qualquer coisa, em exibirem-se frente aos outros com as coisas de compraram, substituído sem grande remordimentos o shopping center ou a loja de departamentos pela igreja ou pelo encontro político-partidário. Nunca os ideólogos do mercado creditaram-lhe, ao homem comum, ao homem-massa, qualquer grande destino redentor ou façanha ideal transformadora do mundo. Nem mesmo acalentaram nele a esperança na imortalidade, alcançada possivelmente depois que as prestações assumidas estivessem quitadas. Como igualmente nunca imaginaram-no capaz de viver numa sociedade harmônica e solidaria, porque nela, provavelmente, morreriam de fastio e tédio


Se entendermos o papel real do dinheiro em nossas vidas, escreve o filósofo Jacob Needleman, não pensaríamos simplesmente em gastar ou poupar. O dinheiro exerce forte influência emocional sobre quem somos e o que jamais teremos. Nossa má vontade em entender os efeitos emocionais e espirituais do dinheiro sobre nós mesmos explica porque temos que saber o preço de tudo, e o valor de nada. Dinheiro tem tudo a ver com a busca de uma vida idealística, e ao mesmo tempo é a raiz de nossas frustrações diárias. Socialmente, dinheiro tem um impacto profundo no preço do progresso. Needleman mostra como o dinheiro lentamente começou a nos assombrar, desde a invenção da moeda nos tempos bíblicos (quando o dinheiro foi criado para resgatar o bem comunitário, não para proveito próprio) até seu aparecimento hipnótico em nossa era obcecada por dinheiro. Trata-se de um livro exrtraordinário que combina mito e psicologia, a poesia dos Sufis com a sabedoria do rei Salomão, juntamente com a busca do autor por sua própria alma e cultura para explicar como o dinheiro pode se tornar uma forma única de auto-conhecimento. Como parte da coleção Currency paperback, o livro inclui um "Manual do Usuário" - uma introdução e guia de discussão criado pelo autor para ajudar os leitores a utilizar de maneira prática os conceitos do livro.

Pra encerrar eu boto essa musica do pink que fala bem o que quero passar!
abraços Rafael

Pink Floyd - Money
Waters
Money, get away.
Get a good job with more pay and you're okay.
Money, it's a gas.
Grab that cash with both hands and make a stash.
New car, caviar, four star daydream,
Think I'll buy me a football team.

Money, get back.
I'm all right Jack keep your hands off of my stack.
Money, it's a hit.
Don't give me that do goody good bullshit.
I'm in the high-fidelity first class travelling set
And I think I need a Lear jet.

Money, it's a crime.
Share it fairly but don't take a slice of my pie.
Money, so they say
Is the root of all evil today.
But if you ask for a raise it's no surprise that
they're
giving none away.

"HuHuh! I was in the right!"
"Yes, absolutely in the right!"
"I certainly was in the right!"
"You was definitely in the right. That geezer was
cruising for a bruising!"
"Yeah!"
"Why does anyone do anything?"
"I don't know, I was really drunk at the time!"
"I was just telling him, he couldn't get into number
2. He was asking
why he wasn't coming up on freely, after I was yelling
and
screaming and telling him why he wasn't coming up on
freely.
It came as a heavy blow, but we sorted the matter out"

Nenhum comentário: